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O ron ron do gatinho


O gato é uma maquininha 
Que a natureza inventou
Tem pêlo, bigode, unhas
E dentro tem um motor.

Mas um motor diferente
Desses que tem nos bonecos
Porque o motor do gato
Não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
Que bate em seu coração
Por isso ele faz ron ron
Pra mostrar gratidão...

No passado se dizia
Que esse ronron tão doce
Era causa de alergia
Pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
Calúnias contra o bichinho
Esse ronron em seu peito
Não é doença, é carinho!

(Adriana Calcanhoto - O Ron Ron do Gatinho)



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Piedade Filial


Sabes os mandamentos: não cometas adultérios; não mates; não furtes; não digas falso testemunho; não cometais fraudes; honra a teu pai e a tua mãe (Marcos, X: 19; Lucas, XVIII: 20; Mateus, XIX: 19).
O mandamento: “Honra a teu pai e a tua mãe”, é uma conseqüência da lei geral da caridade e do amor ao próximo, porque não se pode amar ao próximo sem amar aos pais; mas o imperativo honra implica um dever a mais para com eles: o da piedade filial. Deus quis demonstrar, assim, que ao amor é necessário juntar o respeito, a estima, a obediência e a condescendência, o que implica a obrigação de cumprir para com eles, de maneira mais rigorosa, tudo o que a caridade determina em relação ao próximo. Esse dever se estende naturalmente às pessoas que se encontram no lugar dos pais, e cujo mérito é tanto maior, quanto o devotamento é para elas menos obrigatório. Deus pune sempre de maneira rigorosa toda violação desse mandamento.
Honrar ao pai e à mãe não é somente respeitá-los, mas também assisti-los nas suas necessidades; proporcionando-lhes o repouso na velhice; cercá-los de solicitude, como eles fizeram por nós na infância.
É sobretudo para com os pais sem recursos que se demonstra a verdadeira piedade filial. Satisfariam a esse mandamento os que julgam fazer muito, aos lhes darem o estritamente necessário para que não morram de fome, enquanto eles mesmos de nada se privam? Relegando-os aos piores cômodos da casa, apenas para não deixá-los na rua, e reservando para si mesmos os melhores aposentos, os mais confortáveis? E ainda bem quando tudo isso não é feito de má vontade, sendo os pais obrigados a pagar o que lhes resta da vida com a carga dos serviços domésticos! É então justo que pais velhos e fracos tenham de servir a filhos jovens e fortes? A mãe lhe teria cobrado o leite, quando ainda estavam no berço? Teria, por acaso, contado as suas noites de vigília, quando eles ficavam doentes, os seus passos para proporcionar-lhes o cuidado necessário? Não, não é só o estritamente necessário que os filhos devem aos pais pobres, mas também, tanto quanto puderem, as pequenas alegrias do supérfluo, as amabilidades, os cuidados carinhosos, que são apenas os juros do que receberam, o pagamento de uma dívida sagrada. Essa, somente, é a piedade filial aceita por Deus.
Infeliz, portanto, aquele que se esquece da sua dívida para os que o sustentaram na infância, os que, com a vida material, lhe deram também a vida moral,  que freqüentemente se impuseram duras privações para lhe assegurar o bem-estar! Ai do ingrato, porque ele será punido pela ingratidão e o abandono; será ferido nas suas mais caras afeições, às vezes desde a vida presente, mas de maneira certa noutra existência, em que terás de sofrer o que fez os outros sofrerem!
Certos pais, é verdade, descuidam dos seus deveres, e não são para os filhos o que deviam ser. Mas é a Deus que compete puni-los, e não aos filhos. Não cabe a estes censurá-los, pois que talvez eles mesmos fizeram por merecê-los assim. Se a caridade estabelece como lei que devemos pagar o mal com o bem, ser indulgentes para as imperfeições alheias, não maldizer do próximo, esquecer e perdoar as ofensas, e amar até mesmo os inimigos, quanto essa obrigação se faz ainda maior em relação aos pais! Os filhos, devem, por isso mesmo, tomar como regra de conduta para com os pais todos os preceitos de Jesus referentes ao próximo, e lembrar que todo procedimento condenável em relação aos estranhos, mais condenável se torna para com os pais. Devem lembrar que aquilo que no primeiro caso seria apenas uma falta, pode tornar-se um crime no segundo, porque, neste, à falta de caridade se junta à ingratidão.
O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 14 - Honra a teu pai e a tua mãe.

A família, considerada hoje um apenas um agrupamento de pessoas que permanecem unidas meramente por necessidades materiais, é o maior bem que eu tenho. Sou grata por ter escolhido encarnar na MELHOR família que eu poderia escolher. Sou grata pelos valores morais e éticos que foram passados dos meus pais para mim e para minha irmã, e que estamos transferindo também para meu sobrinho. Sou grata por sermos unidos em todas as horas. Sou grata por podermos contar uns com os outros. Cresci longe da minha família, dos tios, primos, avós... então hoje não abro mão de estar ao lado da única família que tenho perto de mim: meus pais, minha irmã, meu cunhado e meu sobrinho. São e SEMPRE serão prioridade na minha vida. 
Talvez eu mesma nunca venha a constituir família. Talvez sim, talvez não. Mas o tempo em que eu viver nesse planeta, eu estarei à disposição daqueles que sempre fizeram e sempre farão tudo por mim e pala família da minha irmã, que nunca deixaram e nunca deixarão nos faltar nada, mesmo que as coisas sejam difíceis: meus pais.

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Brilha, brilha, estrelinha...

É.

Faz um tempão, né?

Engraçado que hoje eu senti necessidade de escrever, de desabafar aqui, depois de uma conversa com uma colega no trabalho. Uma jovem mãe.

Dia 15/09 meu último avô partiu.

A vida me deu a oportunidade de ter 3 avôs, dois maternos e um paterno.
Mas não me permitiu viver plenamente com nenhum deles, apesar de eu amá-los demais.

Minha família mudou para outro estado, então avôs, avós, primos, primas, tios e tias... todos ficaram pra trás. A minha infância foi vivida com meus pais, e com a minha irmã. Existe uma lacuna na minha vida, que corresponde ao espaço onde deveriam existir as lembranças dessa fase. Essa lacuna foi preenchida com breves flashes, que correspondiam às férias que eu passava em SP quando era criança. Quando eu brincava com minhas primas (do lado da mamãe, que têm idades próximas à minha) ou ficava vendo os adultos jogando baralho enquanto eu assistia ao Sílvio Santos na tevê com minha avó (do lado do papai, onde os primos são bem mais velhos que eu).

Foi ruim?

Não sei. Eu aprendi a viver assim, e os momentos que passava com a minha família eram felizes.

Por que estou falando isso?

Porque depois do acontecido, refleti sobre duas coisas que hoje considero fundamentais, e que até então não tinham tanto significado.

Quando minha mãe falou que meu avô tinha feito a passagem, fiquei nervosa. Depois veio o choro, o choro de quem tem culpa. Peraí, culpa? Culpa de quê?

De não ter estado com ele antes. De ter tido várias oportunidades de concretizar isso, e sempre ADIAR a bendita viagem. Perdi o casamento das minhas primas, aniversários das minhas avós, o nascimento da minha priminha. E, parando pra pensar, justificava isso tudo sempre com questões financeiras.

Só que na hora que a desgraça bate na porta, a gente sempre dá um jeito. Arrumei R$ 1500,00 pra comprar uma passagem em cima da hora pro ENTERRO do meu avô. Nessa hora a gente não pensa no dinheiro.

Meu, quando essa ficha caiu eu vi o quanto eu sou negligente com a minha família. O quanto as minhas prioridades estão erradas. E então alguém vai dizer: Gabi, isso é do ser humano, todo mundo é assim.
Mas a hora que a gente VIVENCIA esse sentimento, é muito ruim. Constatar que eu desperdicei as últimas oportunidades de estar com ele foi quase tão ruim quanto a dor que minhas primas sentiram com a perda dele. Elas foram criadas por ele, viveram suas vidas ao lado dele. Parando pra analisar o fato, o meu sentimento é tão pesado quanto a dor delas.

Minha outra reflexão veio dessa daí. Comecei a pesar o meu sentimento EGOÍSTA de não querer ser mãe.
Eu não quero que o meu sobrinho, que é a maior jóia que eu tenho hoje, tenha que crescer sozinho, sem ter com quem brincar, sem ter a casa da vovó completa, com tios, avôs, primos, aquela mesa grande, cheia de comida gostosa e cheia de gente. Eu passei tanto tempo longe da casa das minhas avós, sem visitá-las, que eu não lembrava mais o que era isso. O que era dar tanta risada, tirar fotos, comer aquele monte de coisas gostosas que as avós fazem questão de fazer pra gente. Eu ESQUECI como era estar na casa da minha avó com a minha família. E isso mexeu muito comigo.

Hoje, tenho 3 convicções:

1) Meus 3 avôs continuam pertinho de nós, nos amando, nos protegendo, num lugar muito, muito melhor do que aqui.

2) Não pretendo mais adiar visitas ou encontros por causa de grana, principalmente tendo uma prima que trabalha numa agência de turismo. XD

3) Não quero para o Arthur o espaço vazio que ficou na minha infância.

Não, não me sinto menos feliz por não ter vivido essas coisas. Mas é uma fase que eu nunca mais vou ter, uma fase gostosa que quase todo mundo vive, e eu não acho JUSTO privar o meu reizinho de vivê-la. O que eu puder fazer para que ele viva plenamente essa fase eu vou fazer. Porque hoje ele é a coisinha mais importante que eu tenho.

Eu sou grata pela oportunidade da reflexão, mas se pudesse ter feito diferente, se eu pudesse imaginar, eu teria feito diferente, como qualquer pessoa. Mas me despedi do meu avô com amor, com todo o amor que ele sempre me deu.

E a vida segue. Agora valorizando mais o que deve ser valorizado.

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